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De uma vida de exclusão para uma vida normal em 19 minutos - Operação Sorriso
terça-feira, setembro 22nd, 2009Dona Maria das Dores Antonio acordou na manhã do ultimo dia 13 de agosto
disposta a tentar sua sorte. Sua filha de 5 meses, Ana Clara, havia nascido com uma
fissura labial, o lábio leporino, e Dona Maria das Dores tentava, desde o nascimento,
conseguir que sua querida filha recebesse a cirurgia reparadora. Até então ela não
havia tido sucesso. Mas na noite anterior, voltando com ela para sua casa, à bordo de
um ônibus que cruzava a ponte Rio-Niterói, Dona Maria começou a ser indagada por
outros passageiros sobre sua filha e porque ela não a havia levado ao tal “mutirão que
está acontecendo no Hospital do Fundão”, ao que ela respondia que havia perdido a
oportunidade, pois as inscrições tinham sido só na semana anterior. Ao chegar em
casa, o mesmo discurso, dessa vez feito por suas ‘comadres’: “leve ela lá, que mal
tem?”, perguntaram.
Na manhã do dia 13, ao chegar ao Hospital do Fundão, Dona Maria foi
encaminhada para o 12o andar, o centro cirúrgico, para que os voluntários da
Operação Sorriso pudessem orienta-la sobre os caminhos que poderia tomar no
futuro, para tentar conseguir a cirurgia para sua filha. Pelo menos era o que ela
imaginava. Então imaginem o susto desta mãe de Niterói, angustiada havia 5 meses
pela luta diária de tentar mudar a vida de sua filha, quando depois de 5 minutos de
conversa com um voluntário da Operação Sorriso e uma avaliação no mesmo
momento feita por um cirurgião plástico, um pediatra e um anestesista, ela foi
informada de que sua filha receberia a cirurgia reparadora:
- “Ah, é? Esse mês ainda?” – indagou Dona Maria das Dores.
- “Não”, respondi, “daqui a mais ou menos 35 minutos. É só o tempo de
abrirmos o prontuário dela e fazermos os exames”
O olhar que recebi, assim como as lágrimas de Dona Maria ficarão para sempre
guardados como uma memória deste programa!
Mas Dona Maria não seria a única história comovente destes dias corridos,
muito pelo contrario. Naquele mesmo dia, naquele mesmo instante em que eu
conversava com ela, Douglas Daniel do Nascimento, um rapaz saudável de 13 anos,
morador da Vila Kennedy, estava recebendo sua cirurgia de palato. A voz
extremamente anasalada, resultante de seu palato aberto, havia feito com que
Douglas abandonasse a escola anos antes e por isso ele não sabia ler ou escrever. As
constantes brigas com colegas de classe fizeram com que sua mãe, Márcia Lima
Macedo, não estranhasse a decisão. Só que Dona Márcia não estava do lado de fora
do centro cirúrgico naquele instante, como as outras mães e pais, esperando o fim da
cirurgia e tentando vencer a ansiedade de não saber o que estava acontecendo com
seus filhos. Naquele instante, Dona Márcia estava na enfermaria, cuidando de seu
outro filho, Victor Hugo, de 6 anos, que havia saído da mesma cirurgia momentos
antes e se recuperava bem, dormindo.
Aquela sensação de ansiedade Dona Márcia já conhecia bem, pois na 2a feira,
primeiro dia das cirurgias do programa, eu havia a visto aos prantos de emoção
quando sua filha, Michelle, a primeira dos seus três filhos que foram operados
naquela semana, saiu da cirurgia. Mãe de 6 filhos, 3 deles fissurados, Dona Márcia
passou, em suas palavras, a maior parte dos últimos 13 anos dentro de casa,
acompanhada de seus filhos. Em apenas uma semana, sua vida havia mudado por
completo, assim como a dos seus três filhos mais novos. Até o mês anterior e apesar
de morar dentro da cidade, Dona Márcia, incrivelmente, não sabia que existia uma
possibilidade de cura para seus filhos, mas um intervalo de novela na TV Globo na
semana anterior, onde o comercial da Operação Sorriso foi passado, faria mudar para
sempre o futuro de sua família. E o primeiro objetivo apos retornarem para casa?
“mandar eles pro colégio, depois sair mais de casa, aproveitar a vida, né?”.
Dona Márcia Lima Macedo e dois de seus filhos, recém operados
Aproveitar mais a vida é que o Senhor João Ferreira da Silva, morador de
Duque de Caxias tinha em mente na última sexta-feira. Seu João tem 59 anos e até
então, havia passado toda sua vida com uma fissura labial. Motivo? Quando veio do
Rio Grande do Norte para o Rio há décadas, ele já possuía dois filhos, que seriam
seguidos de mais 3 e, durante toda sua vida, sempre teve medo de perder mais de
dois dias de trabalho pela cirurgia, o que poderia fazer com que seu patrão o
despedisse. Agora, com seus 5 filhos criados, Seu João e sua mulher, casados há 40
anos, haviam decidido que já era hora dele aproveitar mais a vida e o primeiro passo,
segundo ele, era: “resolver esse problema que me acompanha há 59 anos e ficar
bonito”. Perguntei ao simpático Seu João o que ele achava que aconteceria agora que
ele havia sido operado? “ah, meu filho, sem dúvida que minha mulher vai se
apaixonar de novo por mim e vamos aproveitar!”
João Ferreira da Silva antes e imediatamente depois da cirurgia
Se apaixonar é algo que Cristiane da Cruz, de 36 anos, quer muito fazer,
especialmente por si própria. Operada de uma fissura labial no mesmo dia que o Seu
João, Cristiane pediu um espelho para se olhar assim que chegou à sala de
recuperação, ainda dentro do centro cirúrgico. Ao se olhar, suas únicas palavras
foram: “agora sim posso me olhar no espelho”. Cristiane teve que esperar 36 anos
por esse momento!
Tão forte é a vontade de mudar dos pacientes fissurados, que o Leonardo, um
simpático e falante jovem de 20 anos, morador de Mesquita, no Rio de Janeiro, ao ser
informado pelo cirurgião que o operaria que, talvez, dado sua fissura labial, fosse
necessário retirar um pequeno pedaço de sua orelha para reparar o tecido, ele
respondeu: “Doutor, se for pro Senhor me deixar com o nariz e a boca novos, o
senhor pode tirar minha orelha inteira!”.
A luta por uma cirurgia não tem idade e também não tem fronteiras, como
comprovada pela mãe de uma adolescente que havia chegado do Maranhão,
especialmente para tentar a cirurgia no programa do Rio da Operação Sorriso. Sua
irmã mora há alguns anos em Campo Grande, no Rio, e custeou as passagens da irmã
e da sobrinha para que viessem ao Rio.
Essas são algumas das histórias que cruzaram meu caminho nos últimos 10
dias. Assim como eu, outros dos mais de 100 voluntários envolvidos no programa
cirúrgico do Rio 2009 devem ter histórias que ouviram, os emocionaram e que
levarão para toda vida como prova do que é possível realizar quando as pessoas se
juntam para fazer o bem.
Os resultados podem ser contemplados nos olhos de pais como Verônica, mãe
da Camila Vitória Alves, um bebê de apenas 4 meses, que virou o xodó de toda
equipe, em parte pela simpatia de ir no colo de todos sem reclamar e, em parte, pois
uma das pediatras da missão insistiu que a pequena, e bela, Camila era uma cópia
fidedigna dela mesma quando bebê. Na noite do dia em que sua filha havia recebido a
cirurgia reparadora, encontrei sua mãe debruçada sobre o berço na enfermaria,
sussurrando para ela mesma: “ela está linda. Ela ficou perfeita, perfeita, não
acredito”. Começamos a conversar sobre sua filha e sobre seu sofrimento quando
descobriu que teria uma filha fissurada e não sabia como seria possível trata-la ou se
até era possível. Depois que ela terminou de me contar sua história, eu disse apenas:
“pois é, veja só o que foi possível mudar para o futuro da sua filha com uma
cirurgia de apenas 19 minutos. Sim, eu vi a cirurgia dela e durou 19 minutos do
primeiro corte ao último ponto, acredita?”. Ela olhou nos meus olhos, sorriu e
começou a chorar e a dizer obrigado. Mas obrigado quem deveria dizer somos nós, os
voluntários, por termos a experiência de passar por momentos como esse e por
termos ajudado, por menor que seja a ajuda, a 114 famílias terem momentos como
esses na semana passada. Famílias e pacientes terão, para sempre, suas vidas
modificadas e, em alguns casos, tudo que os separavam de uma vida normal, como
vimos, eram 19 minutos.
Camila Vitória Alves, 4 meses, apos receber a cirurgia reparadora
Por: Frederico Jacobsen Junqueira - Voluntário da Operação Sorriso
Venture philanthropy: inovação em investimento social privado
quinta-feira, julho 16th, 2009O IDIS está estudando venture philanthropy, uma nova tendência no Brasil de apoio a organizações sociais, baseado na adaptação de práticas de gestão estratégica aplicadas a investimentos sem fins lucrativos. O objetivo é alavancá-los, elevando suas taxas de retorno. A tendência tem como foco a construção de organizações sociais sólidas e não apenas o aporte de recursos.
A expressão ainda não tem tradução para o português e as primeiras iniciativas estão chegando ao país agora. Mas o venture philanthropy traz promessas de benefícios para o investidor social e para as organizações da sociedade civil (OSCs). O conceito baseia-se na dissociação entre filantropia e assistência social e na adaptação de estratégias de gestão corporativa para o setor social. Ocorre por meio da aplicação de princípios do venture capital, com investimentos de longo prazo, monitoramento e suporte proativo para maximização do retorno. O investimento social se dá tanto em termos financeiros como não-financeiros – como a utilização de horas de apoio técnico, estratégico e gerencial às necessidades das organizações.
No venture philanthropy, mais do que realizar o repasse financeiro, o investidor social participa do fortalecimento da instituição financiada, tornando-a capaz de gerar elevadas taxas de retorno social e eventualmente ganhos financeiros sobre o investimento realizado. Ou seja, seu apoio torna-se mais eficiente e eficaz, além do benefício adicional de promover mais engajamento dos investidores sociais.
A economista Martha Hiromoto, que encabeçou voluntariamente este estudo do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) sobre o tema, explica que um dos diferenciais dessa forma de investimento é a possibilidade de oferecer mais robustez às organizações financiadas. Isso porque ele junta o capital doado a um “pacote de gestão”. Dependendo do tipo de investimento adotado, o impacto na organização é diferenciado: o pacote pode variar do simples aconselhamento estratégico à seleção de funcionários, podendo interferir na estrutura da instituição.
Mudança de paradigma
O novo modelo exige uma alteração na lógica do investimento social tradicional: em vez de o apoio focar-se em uma ação ou projeto de curta duração, em geral com duração de um ano, ele é direcionado para a instituição como um todo. Para ter tempo hábil de gerar mudança na estrutura organizacional, a destinação de recursos ocorre por períodos longos, geralmente com a previsão de resultados após três ou cinco anos do início do contrato. Veja as principais diferenças no quadro.
Diferenças entre o Investimento Social Privado Tradicional e o Venture Philanthropy
|
Recursos |
Investimento por projeto |
Investimento por projeto e institucional |
|
Prazo de retorno |
Projetos de 1 ano |
Retorno esperado varia entre 3 e 7 anos |
|
Monitoramento |
À distância |
Direto |
|
Retorno |
Social |
Social e eventualmente financeiro |
|
Avaliação |
Processo e resultado de projeto |
Processo, resultado e impacto |
|
Nível de Engamento |
Baixo |
Alto |
Fonte: IDIS
Outro importante diferencial do venture philanthrophy é o fato de sempre prever a saída do investidor. “É um investimento com hora para acabar”, afirma a economista. A organização é preparada para continuar em busca de retornos sobre os investimentos por suas próprias capacidades, e em geral com sustentabilidade. Isso não significa que a mesma instituição não possa receber um novo aporte. Pelo contrário. Após determinado prazo, é possível obter mais recursos. “Mas o novo investimento ocorrerá a partir do estabelecimento de novos indicadores e metas”, completa Martha.
Experiência nacional
No Brasil, o venture philanthropy ainda é pouco praticado. Martha Hiromoto conta que o estudo que vem sendo executado pelo IDIS encontrou, até agora, apenas um caso desse tipo de investimento. Trata-se do Fundo Ninho, da organização Nonprofit Enterprise and Self-sustainability Team (NESsT), que oferece aporte financeiro e de capacitação para a criação de atividades empresariais sociais. A experiência é aplicada em outros nove países da Europa Oriental e das Américas Central e do Sul. O objetivo é ajudar as organizações apoiadas na busca de auto-financiamento, diminuindo a dependência por doações, que, geralmente, possuem muitas restrições para o uso do dinheiro além de serem realizadas por períodos curtos.
Em solo brasileiro, a NESsT ainda está finalizando seu primeiro edital, aberto em 2008, com patrocínio do Banco Real. O processo envolve uma formação com as instituições pleiteantes, dividida em etapas, com duração de 12 meses. O processo não é eliminatório: são as próprias organizações que optam por prosseguir. Entretanto, várias saem por falta de tempo, poucos recursos humanos etc. Entre as que conseguem chegar ao fim, as duas com melhor desempenho são escolhidas para ganhar o prêmio de 10 mil dólares. A previsão é que esse primeiro edital se encerre em agosto de 2009 e que um novo seja aberto em setembro, com apoio da Ashmore Foundation.
A gerente de desenvolvimento de empresas da NESsT no Brasil, Jennifer Iverson, conta que a experiência brasileira é muito recente para se pensar em resultados. Porém, analisa que os brasileiros são muito criativos na busca por soluções. Sobre os problemas enfrentados pelas organizações nacionais, ela enfatiza que são os mesmos existentes nos outros países em que a instituição atua, ou seja, desafios comuns aos mercados emergentes.
A falta de capacidade de gestão organizacional e financeira, a ausência de planejamento estratégico a longo prazo e o não estabelecimento de metas concretas são os maiores obstáculos para o sucesso das OSCs, segundo a gerente da NESsT. Ela avalia que o fato dessas organizações contarem com financiamentos de curto período – a maioria de apenas um ano – gera dificuldades em pensar no futuro. Por isso, Jennifer aposta que o venture philanthropy possa render bons frutos.
Quanto tempo nossas coisas levam para se decompor? Exposição dos materiais a diferentes tipos de ambiente torna o cálculo do tempo de decomposição impreciso
quarta-feira, julho 8th, 2009Para ler a mtéria e ver o quadro com o tempo que alguns materiais levam para se decompor, acesse http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/conteudo_476382.shtml
Alôôôôô!!!! Planeta, tem alguém aí? - Fome atingirá 1 bilhão e Iogurte já está em 87,9% dos lares do país.
segunda-feira, junho 29th, 2009No dia 20 de junho último saiu no Caderno Economia do “O Globo”, página 31 - “Pela primeira vez na História, fome atingirá mais de um bilhão“- ONU culpa crise e preço de alimentos pela situação.
No mesmo dia, no mesmo jornal, no mesmo caderno, porém na página 33 a manchete era outra “Iogurtes para todos os gostos” - Produto já está em 87,9% dos lares no país, e indústria investe em mais lançamentos.
Não sei se o errado sou eu nessa história toda mas algo está errado no Planeta Terra. Acho que é um bom momento para nós consumidores de Iogurtes pensarmos um pouco no outro lado da vida.
Mais uma vez “puxo a sardinha” para uma brasa que acredito: - Se nós - consumidores de iogurtes - pensássemos melhor no nosso consumo dos alimentos e buscássemos aprender mais sobre como aproveitá-los melhor (consumindo por inteiro as frutas, com suas cascas, polpas e sementes; os legumes com suas cascas, talos e folhas; as verduras com seus talos ) faríamos um menor consumo e com isso pressionaríamos a baixa nos preços de muitos deles dando possibilidade para que as pessoas de menor renda pudessem, também, comer melhor. É um ciclo onde todos precisamos fazer a nossa parte.
Aproveite e entre no blog do Projeto apoiado pelo Instituto da Criança:
http://comendodetumtudo.wordpress.com
fabio@insitutodacrianca.org.br
IMAGENS EVENTO - SAMBA NO BRECHÓ
quarta-feira, março 11th, 2009- Vídeo com imagens do evento realizado em 21/12/08 em prol do Instituto da Criança, no Cinemathéque, em Botafogo, Rio de Janeiro.
- O evento contou com uma animada roda de samba, poesias, DJ’s convidados e peças de roupas provenientes de doadores e famosos, como Juliana Paes. O brechó tinha como principal objetivo reforçar o conceito do Consumo Consciente.